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quarta-feira

Carta a amigos

Querido casal de amigos, Adroaldo e Jane

Estou com saudade de ti, Adroaldo. Conto os dias em que venhas aqui em Anápolis e passes por aqui para conversar e, quem sabe, bebericarmos um bom vinho, trazido por ti aí de Caxias hehehehehe. Acho que aquele nosso bate papo serve para aprofundar nossa amizade e comunhão. Vocês estão bem, não é?

Recebi essa súmula do "curriculun vitae" de Obama, que me enviaste. Gostei, embora me pareça muito romântica e idealista. Mas é válida. Queria repartir algumas impressões contigo, nada em relação a ti, mas com referência as marchas e contra-marchas conjunturais. Posso?

1. A mídia e seus sacerdotes de plantão, articulistas e jornalistas, destacam com bastante ênfase a história pessoal de Obama. Nesse material que vocês me enviaram há o acento forte sobre mulheres heróicas, como a mãe e a avó de Obama. E pode ser verdade, embora eu conheça outra vertente sobre a forte pulsão sexual da mãe de Obama. E tudo bem. Não resguardo nenhuma dúvida sobre o papel da mulher na formação do ser humano e da sociedade. As mulheres são fundamentais na formação e na agregação. Parece indiscutível que Ann teve papel fundamental na vida de Obama da mesma maneira que Michele tem hoje na luta dele e na dos filhos do casal. Mas, certamente há outros fatores, nem sempre acentuados pela mídia burguesa. E isso se deve buscar conhecer, que são as questões da negritude dele e do estrato social oprimido de onde ele ascende. Parece-me que essa fonte é bastante romantizada e contada apenas como encontro casual do divino ou da sorte. E me parece que é aí que está a maior fonte da possível consciência social do presidente eleito. Nessa base social certamente há milhares de outras histórias, talvez muito mais emocionantes do que a dele, esta representativa de apenas uma minoria de oprimidos que chega ao ápice do poder. Pois vocês sabem que o capitalismo "vende" a ilusão de que pelo trabalho todos venceremos e nos tornaremos ricos. Mas todos sabemos que isso é mentira. O trabalho não enriquece ninguém, pelo contrário. O que "enriquece" é a exploração, é a mais-valia, é o roubo do sangue e do suor dos trabalhadores. Será que os Obama sabem disso? Ou será que eles se acham embalados pelo espírito americano da vitória dos vencedores que mataram milhões de indígenas, de negros, de trabalhadores e de pobres dos países periféricos? Pergunto-me se essa análise psicologista e romântica de que o sujeito pelo fato de acumular no inconsciente arquétipos de bem, fruto de pessoas boas e generosas que atuaram em sua formação, têm alguma relevância fundamental. Pelo contrário, vejo nesse ufanismo glorificante da "vitória" de alguns miseráveis, disfarçadamente ligado pelo chamado sucesso acadêmico, no caso de Obama, ligando-o pela obstinação de sair de uma universidade menos famosa para a "grande" Harward, a linha invisível da análise dos que pensam que só vencem os que seguem a trajetória da burguesia que trilhou o mesmo caminho "genial". Sem esquecer que Harward se constituiu no grande berço dos que "fundamentaram" teoricamente a desgraça do neoliberalismo e onde mais atuaram os que defendiam o fim da história. Mas é muito bonita a história de Obama. As lágrimas do Rev. Jesse Jackson no dia do discurso da vitória o confirmam e emocionam.


2. Marx, agora muito falado nessa crise provocada pelo país de Obama, diz no seu livro A Sagarda Família : "Se o homem é formado pelas circunstâncias, então há que formar as circunstâncias humanamente". E aí está, me parece, a grande questão. Obama é uma boa pessoa, é um indivíduo bom. Mas ele é dominado pelas circunstâncias. E quais são elas? Ele será presidente de um país imperialista, cuja força ainda jaz intacta, cujo poderio militar espalha terror pelo mundo inteiro, sua economia se interconectou com o mundo e é dos países pobres que retira sua opulência. Aquele país se fez sobre o racismo e a matança de indígenas e negros. Seu país se auto-elegeu cherife do mundo. Hoje os Estados Unidos arrastam todo mundo, literalmente, para o fundo do posso. Por causa disso a humanidade é emcurralada num dilema: ou avançaremos com a revolta empobrecida do mundo ou seremos destruídos pela dominação imperialista, de renovado conteúdo nazista. Essas circunstâncias são desumanas. Obama conseguirá humanizá-las antes de receber uma bala na testa? Ele mudaria essas circunstâncias com um congresso comprometido com o terror e com a guerra contra países pobres, como o Afeganistão, o Iraque, e os Palestinos árabes etc? Ele mudaria as circunstâncias de um país que agride absolutamente o meio ambiente por pura ganância e egoísmo dominadores? Sabe-se que cinco famílias dominam o mundo e dessas a maioria atua nos Estados Unidos e domina literalmente sua economia e os seus poderes, de quem Bush foi seu mais desastrado representante. Obama mudará essa circunstância?

Creio que haverá mudanças nesse século mas não será pelas mãos de bons indivíduos que ascendam ao poder, com a concessão dos que nele se aboletam , mas será pela luta dos povos, como já se sinaliza em 14 paises de nossa América Latina. Creio que há possibilidades de mudanças que varram o mundo, mas pela força organizada dos trabalhadores aliançados com boa parte da sociedade. Mas haverá muita luta ainda. A pedra foi jogada. Obama pode nos ajudar muito, mas não por mérito pessoal, mas se se conscientizar e se articular mais abrangentemente. Além do mais eu o acho muito nariz empinado.


Essas são algumas humildes reflexões que compartilho com um casal muito meu amado. Não esqueçam do vinho...hehehehehehe

Abraços,

Orvandil.
PS. Vocês me permitem publicar esse bilhetinho no meu blog?

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