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terça-feira

Uma análise dos protestos que eu respeito pelos critérios sérios de quem luta e reflete




  • Acabo de voltar dos protestos em São Paulo e o que tenho a dizer são duas coisas, uma positiva e outra negativa.

    Positiva: esta foi a maior marcha que já participei em toda vida. Por mais que a mídia tentasse fraudar os números dizendo que haviam 30 ou 65 mil pessoas, era visível que havia muito mais de 100 mil pessoas, talvez até 200 mil, apenas em São Paulo. Ao ver as notícias de que esse movimento se espalhou por todo o país, atingindo alvos políticos como o Congresso Nacional em Brasília, o Palácio dos Bandeirantes em São Paulo e a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, a mensagem é mais do que clara: há um descontentamento geral não apenas com os políticos brasileiros, mas com a conjuntura política do país. A questão das tarifas de ônibus foi apenas a faísca detonadora de uma insatisfação coletiva que estava prestes a estourar. Assim, a pauta do movimento tornou-se difusa, e é aí onde mora o perigo.

    Negativo: um movimento sem direcionamento corre o risco de esvaziar-se ou de ser instrumentalizado por oportunismos de toda ordem. Na passeata haviam cartazes com protestos ao estatuto do nascituro, Copa do Mundo, Marco Feliciano, corrupção, pedindo impeachment do prefeito, do governador, da presidente, etc, etc. Muitas dessas reivindicações eram justas, outras nem tanto, mas a briga entre anti-partidos x partidários deixava um claro exemplo de o quão difícil era retomar o consenso da luta inicial: contra a redução das tarifas e a violência policial. Nesse mangue, cada um tenta instrumentalizar o movimento de acordo com seus interesses: mídia e oposição falam que é contra o governo e oportunistas como Marina Silva e Aécio Neves tentam se aproveitar dessa onda para parecerem o "novo", quando basta conhecer a história e as propostas de cada um para saber que não passam de o velho maquiado.

    O fato é que o governo do PT está aquém daquilo que muitos esperavam. Ao contrário do que acontece na Venezuela, Equador e Bolívia onde os protestos são apoiados pelo governo para impulsionar os países no rumo da mudança, no Brasil eles são vistos como estranhos e ameaçadores. Assim, uma letargia de gabinete dá a impressão de quem com quer que esteja no governo, as grandes questões vão continuar iguais. Sim, milhões de pessoas saíram da pobreza, o padrão de vida classe baixa e média se elevou, mas passados 10 anos, a educação e a saúde continuam muito parecidas com o que eram antes. Foram criadas novas universidades, o país investiu como nunca na saúde familiar, mas ainda há pessoas morrendo na fila dos hospitais públicos, o analfabetismo funcional predomina e a qualidade de vida nas cidades grandes e médias só piora com mais e mais carros na rua e transportes públicos de péssima qualidade. E aí voltamos ao problema inicial: as tarifas de ônibus caras para um transporte lastimável, enquanto a promessa de que a Copa do Mundo melhoria tudo isso não passou de uma ilusão, com ingressos caros e excludentes apenas para ricos estrangeiros verem os jogos.

    Portanto, se o governo federal não ouvir as vozes das ruas e continuar se igualando aos tucanos na repressão e na criminalização da luta, será tragado pelo movimento. Mas se ao contrário, ele se juntar a essa causa e deixar com que o povo impulsione as mudanças, entrará para a história como um patrocinador do aprofundamento da democracia e das transformações. Para isto terá que mostrar um novo jeito de fazer política, que é enfrentar com firmeza o problema da corrupção, que tem sua raiz no financiamento privado das campanhas e nos lobbies obscuros das multinacionais, do agronegócio e principalmente do capital financeiro que dita toda a agenda econômica do país. Assim, retomada a confiança do povo, com o país no rumo certo, o brasileiro terá orgulho de sediar a Copa e tantos outros eventos internacionais. 

    A chance de ouro está na mesa: basta descer do gabinete e ouvir a voz da rua, caso o contrário o oportunismo aliado ao poder econômico e midiático fará o que sempre fez, que é se aproveitar do novo para remaquiar o velho. E tudo vai continuar como está. Mas não é isto que o povo quer e por isto ele está nas ruas.

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