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terça-feira

Fanatismos religiosos infantilizam, emburrecem e dividem as pessoas






Prezado amigo João


De repente tive saudade de levar um papo contigo, meu amigo. Sempre que nos encontramos nossos papos versam sobre o povo, sobre o Brasil, sobre a militância etc. Infelizmente há algum tempo não nos vemos pessoalmente. Sempre admirei tua calma e serenidade, sem cobranças.

Impressionei-me quando uma vez em 2009 me disseste que lecionavas ensino religioso no segundo grau numa escola pública aqui em Goiânia. Até aí tudo normal. O que me chamou a atenção foi falares que és ateu. Aí espontânea e rapidamente te perguntei o que ensinavas então se és ateu. Nunca te disse, mas tua resposta me impressionou positivamente. Respondeste que aproveitas para trabalhar as noções de valores como amor ao próximo, justiça, fraternidade, igualdade, serviço despojado pelo próximo, transformação do mundo, fé, na vida, ética e outros. Justificaste que a religião é rica desses valores. Rapaz, emocionei-me com tua percepção. Geralmente os teistas não valorizam essas riquezas que tu como ateu recolhes como pérolas preciosas, escondidas aos olhos dos fanáticos religiosos. Eles geralmente não conseguem transcender os lugares comuns de a “paz do senhor, irmão”, das técnicas de oratória usadas por seus pastores que os induzem a dizer para quem senta ao seu lado no templo: “Deus te ama”.

Pessoalmente me entristeço com o estreitamento mental que domina muitos religiosos. Comumente são intolerantes, divisionistas, arrogantes, verbalmente belicosos, traiçoeiros, personalistas, egoístas, donos da verdade, alienados sem compromisso social, escapistas no sentido de que pensam somente para cima, para uma conceituação de um Deus dependurado no céu, que um dia os levará para lá destruindo todos os outros e o mundo todo para salvá-los.  

Geralmente as pessoas de igreja empobrecem-se muito quanto à ideia de união com outras pessoas, de priorizar o que realmente é fundamental para todos. Nas conversas e abordagens sobre a vida resvalam facilmente para o sectarismo e para a divisão, colocando-se em patamar imaginário de superioridade. Por pouco cortam relações e amizades. Qualquer definição que não seja as suas as leva para campo divergente. Garimpam nas conversas pontos que separam e pontos morais conservadores, dando a entender que buscam sempre o que pode virar briga. São pobres de argumentos, usualmente sem nenhum. Sua racionalidade é paupérrima dando lugar ao emocionalismo rancoroso e pronto a defensivas. Percebo no Facebook quando tento debater com algum religioso mais fanático. Geralmente apelam e ofendem, sempre ancorados no ranço do donismo da verdade. Por pequenas divergências deletam a gente ou ameaçam de fazê-lo.  Não dispõem de formação democrática para o debate e o acolhimento de outras verdades que não as suas.

Sinto os religiosos fanatizados muito temerosos, inseguros e conservadores. Não são capazes de pensar um milímetro por si mesmo, por qualquer coisa correm em direção ao colo de um pastor ou de um padre. Fechados são facilmente homofóbicos, preconceituosos e racistas. Temem o mundo. Seus ídolos humanos são os autoritários, para eles verdadeiros representantes de Deus na terra, irretocáveis. Por isso Malafaia, Feliciano, Marcos Pereira e outras debilidades conseguem audiência e simpatia entre esses que não raciocinam e preguiçosamente esperam tudo pronto do céu, coisa que esses pregadores formados na escola da superficialidade lhes oferecem.

Diferentemente de ti, meu querido amigo João, os fanáticos religiosos numa conversa, numa manifestação de fraternidade, pinçam o que pode dividir e distanciar. Eles não gostam de união com os diferentes nem de se enriquecer com as experiências dos diferentes. Outro dia escrevi uma carta expressando saudade sincera para um amigo meu, que gira sua vida orientado por esse tipo de visão de mundo. Respondeu-me com entusiasmo, mas não sem ressaltar o que divide, dizendo mais ou menos assim: “somos amigos apesar de nossas diferenças em testemunhar o evangelho”. Ao ler esta e outras frases de caráter divisionista pensei em ti. Certamente me dirias: “que legal a gente se reencontrar para aprofundarmos nossa unidade na luta por um mundo mais justo”. São duas manifestações radicalmente opostas: uma divide e outra une. Talvez a tua manifeste mais fé na vida enquanto a outra testemunhe mais guerra e má vontade com as pessoas e com o mundo. Recordo de um ex combatente igualmente ateu em Caxias do Sul, o amigo Deo Gomes. Numa reunião com a direção de seu partido, ao referir-se a ataques de religiosos, disse sabiamente: “são eles que nos atacam e nos acusam e não nós a eles. Nós os respeitamos”.

Certos ateus, principalmente os que se entregam à luta pelas transformações sociais, são mais respeitosos com as pessoas e com o mundo do que religiosos que esperam esse mundo se explodir e até torcem por isso. Certos ateus são muito mais generosos com as pessoas do que muita gente que vive pulando em louvor dentro de igrejas. Talvez seja em razão de os ateus viverem em constantes solavancos provocados pelas injustiças que ferem e matam enquanto muitos religiosos se preocupam em prosperar, em enriquecer a custa da fé, sem se importar com o sofrimento do próximo.

Pois bem, João, encontrei o texto abaixo sobre uma pesquisa que revela a tranquilidade maior que os ateus vivem do que os que professam uma religião. Posto a matéria abaixo para que a leias. Quanto a mim penso que o mais importante da fé é o encontro pessoal com o Jesus palestinense e com o conteúdo do Reino que ele ensinou do que com questiúnculas que viram dízimos para enriquecer pastores e igrejas.

Abraços críticos e fraternos na luta pela justiça e pela paz.
Dom Orvandil: bispo cabano, farrapo e republicano.

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Ateus são ‘mais pacíficos’

Paulo Nogueira 13 de maio de 2013 
É o que sugere um estudo.


As dinamarquesas têm muita paz e pouca fé religiosa
As dinamarquesas têm muita paz e pouca fé religiosa

Os ateus são mais pacíficos?

É uma questão que emerge de uma das listagens mais interessantes que existem. É o GPI, Global Peace Index, fruto de um centro de estudos baseado em Londres.


Especialistas trabalham com mais de 20 indicadores econômicos e sociais de 144 países e montam uma lista da paz e riqueza  mundiais.


Uma das coisas que impressionam, e têm despertado uma discussão vibrante, é a alta colocação dos países “ateus”, aqueles em que a maior parte das pessoas não acredita em Deus.


A Suécia, com 85% de ateus, se destaca no GPI e em todas as análises comparativas de desenvolvimento  econômico, humano e social.  Bem como a Dinamarca, a Noruega , a Islândia e a Finlândia.


No caso do GPI, todos estes países escandinavos estão no topo.  O ateísmo é elevado em cada um deles.  Do lado oposto, as piores colocações são de países com religiosidade alta, seja muçulmana ou cristã.


O Brasil, como em todo estudo de avanço social, tem ainda uma posição brutalmente  medíocre, embora tenha havido avanços respeitáveis nos últimos dez anos.


O GPI faz pensar.


Desde os primórdios da civilização, uma das razões mais comuns de conflitos é a religião. A Índia, para ficar num caso, foi golpeada duramente em seu progresso por conta da guerra sangrenta entre hindus e muçulmanos.


Um pedaço da Índia de dominação muçulmana acabou se tornando um país independente, o Paquistão, hoje no meio do caminho entre os jihadistas islâmicos e os mísseis americanos.


Lembro de um vídeo que mostra Ophra, a apresentadora americana, indo a Copenhague para tentar descobrir por que a Dinamarca é o país mais feliz do mundo, segundo um outro estudo. (Estive lá também, pelo mesmo motivo.)


Ophra junta um grupo típico de mulheres dinamarquesas e bate um papo.


São saudáveis, bonitas, articuladas, orgulhosas de seu país. Não são massacradas por plásticas, maquiagens, griffes.


Quando Ophra pergunta se acreditam em Deus, elas respondem prontamente que não. Uma diz que acredita na “humanidade”.


Dizem também não acreditar tanto assim no casamento formal, o que não quer dizer que não possam ser boas mães e boas companheiras.


Não tenho a pretensão de esgotar uma discussão tão complexa aqui. Como o pastor de Updike que no meio de um sermão perde a fé, em algum momento deixei de crer. Não fiquei nem melhor e nem pior do que já era.


Também não tenho posição formada sobre a relação entre ateísmo e paz.  O homem que mais admirei na vida, meu pai, era profundamente religioso.


Mas jamais  imaginou que sua fé fosse melhor que a de outros e nem tentou impô-la a quem quer que fosse. Meu romancista predileto, Graham Greene, era católico.


Mas muita gente pensa e age diferente de papai e de Greene.


São pessoas que consideram sua religião melhor, e estão dispostas a matar e morrer por isso.


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