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quinta-feira

Mulheres lutadoras invisíveis, mas essenciais





Querida Professora Rosiley

Desde o dia em que te conheci como minha aluna do módulo de pós graduação, que trabalhei com vocês aí em Quirinópolis-Go,  me impressionei com tua maneira de enfrentar a vida. Atuas profissionalmente na docência, como muitas de tuas colegas. Porém, há algo que te diferencia da maioria. Além de seres bonita, delicada e meiga te demonstras gigantemente forte na luta de tua categoria. 

Contaste-me que militas no sindicato dos professores estaduais e, nessa condição, vivencias intensamente essa greve que o governador neoliberal e amigo do mafioso Carlinhos Cachoeira obrigou os professores a fazer. Vi-te na distribuição de panfletos convidando os colegas e a população de Quirinópolis para conhecer as razões que obrigam essa categoria a fazer paralisação de protesto. 

Nesse dia internacional da mulher, cuja agenda é completa de atividades que lembram tantas heroínas que lutaram e que lutam pelos direitos das mulheres e pelos direitos humanos, recordo de ti. Tua estatura baixa além de te tornar linda, na verdade, aumenta tua presença como lutadora no meio do povo que necessita e busca melhores condições para viver. Transformas teus dramas pessoais em razões para crescer e lutar pelos outros social e politicamente, buscando também crescimento acadêmico e profissional.

Mas há algo em ti que me chama a atenção e que é traço e valor comuns nas mulheres e homens que lutam política e socialmente, sem a redução ao interesse mesquinhamente pessoal e individual. Trata-se de tua alegria, minha querida amiga e colega Rosiley. A tua alegria mostra uma alma vibrante, rica em entrelaçamento na luta e de esperança nas mudanças. Isto é, sabes transcender os afazeres empobrecidos da vida doméstica e do atavismo do pauperismo profissional. Tua vibração nasce do olhar de quem participa com muitas pessoas na prática para mudar o mundo. “Caminhando e cantando a canção não esperas a hora acontecer, mas...” vais embora com os heróis e heroínas que mudam os cursos dos rios se for preciso, para que a vida seja mais gostosa de ser existencializada, com mais pães, habitação, salários justos, condições justas na educação e na saúde para todos. Teu lugar não é ver navios, mas dar braçadas nas largas ondas a favor do navegar. Não te contentas ao reduto do lar a lamentar as dificuldades e a amargurar os familiares com queixas que não levam a nada. Teu posto não é o de mera profissional, como muitos gostam de dizer, de cabeça enfiada em tarefas cegas, esgotantes cuja mais valia acaba com as pessoas e com a fraternidade, mas o da luta que transforma realidades econômicas, sociais e políticas, que faz o mundo ser novo. Noutras palavras, admirável Rosiley, teu coração e  olhar trepidam como as cordas do violino, agarrado por quem sabe fazer de uma aparente madeira uma obra de arte. És uma mulher violino cuja obra de arte engendras com tua enorme generosidade pela humanidade, bem diferenciada de tanta mediocridade de quem não luta coletivamente e ainda zoa, dana e se estressa com quem se entrega no altar da construção do novo mundo.

Mulheres e pessoas de tua estirpe, querida amiga, dificilmente choram por mesquinharias nem riem por poucas coisas. Mulheres de teu calibre choram de emoção com grandes conquistas e vitórias, mas que dizem respeito a todos e não somente a algumas pessoas. Mulheres de tua inspiração riem com a alma limpa de quem dorme com a consciência tranquila por não se omitir nem se alienar em face da necessidade de lutar para que as riquezas sejam partilhadas e a justiça seja realidade socialmente. Mulheres assim nunca morrem, são eternas enquanto vivem e após suas mortes suas obras se erguem como monumentos à liberdade e à dignidade humana. Imagino que nos momentos quando te reúnes a teu marido e familiares o quanto tens a compartilhar do que recolhes na luta.

Acabei de receber uma ligação telefônica de uma mulher que relata, amiga Rosiley, as grandes mobilizações femininas ocorridas hoje, no dia internacional da mulher, aqui em Aparecida de Goiânia em Goiânia, e as bandeiras de lutas das mulheres nessa metrópole. A mulher lutadora que me ligou, ao terminar, me disse que de agora em diante Goiás não será a mesma. Percebes? O mundo para ela mudou, graças a sua participação. Avisou-me que ia para casa descansar porque lutara o dia inteiro e que fez sua parte. 

É exatamente isso, Rosiley, quem luta faz a sua parte para movimentar o bloco da injustiça e da opressão, como dizia Dom Helder Câmara. Imagino que és assim, também.

Sugiro que leias a matéria abaixo, aqui no blog, sobre os povos árabes e as lutas por democracia, que mostra o quanto as mulheres árabes lutam desde sempre contra as ditaduras e machismos encruados e as vitórias construídas, cujas lutas das mulheres foram e são indispensáveis. Essa matéria é  demonstração, Rosiley,  de que as mulheres são heroínas e são indispensáveis.

No dia de hoje não me animo muito a cumprimentar as mulheres com o objetivo de cumprir formalidades. Tenho vontade de crescer e de aprender com as que lutam e ensinam a viver.

Parabéns, grande mulher e professora Rosiley. Parabéns às grandes e heroínas mulheres. Obrigado pela ousadia e pela coragem de quem sabe entregar-se à vida e à luta. A grande vida não acontece na omissão, mas na missão de lutar e de ser.

Abraços fraternos e solidários.

 



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