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Amorim vê sinais de xenofobia em crime contra brasileira


12 DE FEVEREIRO DE 2009 - 17h28

O ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, disse nesta quinta-feira (12), que considera ''grave'' e ''chocante'' o crime contra a advogada brasileira Paula Oliveira, que foi agredida e marcada com objetos cortantes em Zurique (Suíça). Grávida, ela acabou perdendo seus filhos gêmeos ao sofrer um aborto logo depois do ataque.


Paula sofreu mais de cem cortes de estilete
O chanceler brasileiro acrescentou que o crime apresenta sinais de xenofobia (aversão a estrangeiros), o que o tornaria mais sério. ''Há evidência aparente de xenofobia, pois o ataque denota uma outra motivação. Aparentemente, é xenofóbica, o que é preocupante. Mas não podemos tirar conclusões ainda. Mas, se de fato houve agressão de natureza xenofóbica, é um agravante e tem que ser tratado como tal'', afirmou Amorim.
Rigor na apuração
Amorim informou ainda ter ligado para a cônsul-geral brasileira em Zurique, Vitória Clever, e ter pedido rigor na apuração do crime.
''Ela me disse que percebeu, de ontem para hoje, uma mudança de atitude. Um melhor acesso à chefia da polícia e pôde transmitir, de maneira mais direta, as preocupações brasileiras. A polícia disse que daria informações ainda hoje sobre o andamento das investigações. É preciso que fique muito claro que haverá uma investigação de todos aspectos'', afirmou.
Amorim afirmou que é ''muito raro'' ter que ligar diretamente para um cônsul no exterior. ''Evidente que é um caso chocante. Tomamos as medidas que deveríamos tomar, das várias formas que poderíamos tomar. Estamos aguardando os desdobramentos'', disse.
Nesta quinta-feira, Amorim convocou, ainda, o embaixador da Suíça no Brasil, Wilhelm Meier, para discutir o ataque à brasileira. Pelo fato de o embaixador suíço não estar presente em Brasília, foi enviado seu ministro-conselheiro Claude Grottaz, que conversou com o diretor-geral do Departamento Consular do Itamaraty, Eduardo Gradilone. Este repassou o recado ao suíço de que espera rigor na apuração do crime e punição dos culpados.
Agredida por 3 neonazistas
A polícia local informou que Paula contou ter sido agredida por três neonazistas na cidade de Dubendorf e que, em seguida, sofreu um aborto dentro do banheiro de uma estação logo após o ataque.
Segundo a nota da polícia, ''a mulher disse que três homens a atacaram com chutes e a feriram com um estilete'', afirmou a nota. ''Além disso, ela disse que estava grávida e que, após o ocorrido, teve um aborto dentro do banheiro próximo da estação.''
O sucinto comunicado policial diz também que ''a mulher foi levada para o hospital para realizar mais exames e foi realizada uma ampla busca no local do crime''. Mas afirma: ''não é possível dar mais informações sobre os exames médicos.''
A polícia suíça confirmou que Paula foi encontrada com ''ferimentos superficiais de objetos cortantes'' na pele e que, neles, ''podiam ser reconhecidas letras isoladas''.
Em fotos da brasileira feitas após o ataque, é possível ver a sigla SVP, iniciais em alemão do Partido do Povo Suíço, de extrema direita. A polícia diz na nota que a ''circunstância que levou a esses ferimentos não está clara''.
Na quarta-feira (11), a diplomacia brasileira havia criticado o comportamento da polícia após a agressão. Isso porque, ao prestar queixa, Paula foi interrogada pelo detetive Andreas Hug, que duvidou de sua versão, querendo saber se ela não teria ''se autoflagelado''.
A cônsul-geral do Brasil em Zurique, Vitória Cleaver, também passou por uma situação constrangedora ao telefonar para a polícia. A delegacia local apenas a informou que, se quisesse saber detalhes do caso, ''que perguntasse à vítima''.
Mais de cem estiletadas
Paula é filha de Paulo Oliveira, secretário parlamentar do ex-governador de Pernambuco e deputado federal Roberto Magalhães (DEM-PE). Os pais da brasileira chegaram ontem a Zurique e nesta quinta-feira pretendem buscar informações sobre a investigação.
Segundo o pai da brasileira, Paulo Oliveira, o ataque aconteceu quando havia poucas pessoas na rua. ''Ela levou mais de cem estiletadas, no braço, na perna, no peito, no ventre, onde você possa imaginar'', afirmou Oliveira, dizendo que a filha ficou em estado de choque. ''Em determinado momento, ela se refugiou no banheiro do metrô e ligou para o companheiro, que chamou a ambulância e a polícia''.
Oliveira disse que a filha está melhor fisicamente, mas ''emocionalmente péssima''. ''Ela está tratando as sequelas do aborto e voltou ao hospital para tomar coquetel antiviral, já que não se sabe se o instrumento que a cortou estava contaminado de alguma forma'', contou.

Paula trabalha na multinacional Maersk e, segundo o Itamaraty, vive legalmente na Suíça. Ela foi atacada quando voltava do trabalho, após desembarcar na estação de trem perto de sua casa. Paula falava ao telefone celular com a mãe, que estava no Recife, quando foi cercada pelos três rapazes de cabeça raspada.
Levada para um parque, foi espancada por 15 minutos e teve sua roupa parcialmente arrancada. Um deles usou um estilete para cortar barriga, braços, rosto, tórax e pernas. "Ela ficou marcada em várias partes do corpo", disse a cônsul. Paula disse que um dos agressores tinha uma suástica tatuada no corpo.
Ataques xenófobos
Nos últimos meses, ataques xenófobos têm ganhado força na Europa diante de um discurso cada vez mais racista dos partidos de extrema direita.
Na Suíça, a crise econômica aumentou o desemprego, gerando popularidade aos partidos de extrema direita, que advogam medidas xenofóbicas. Casos de ataques contra estrangeiros aumentaram, mas, até agora, os brasileiros não eram os alvos preferidos — as principais vítimas são imigrantes turcos, ex-iugoslavos e africanos.
Da redação, com agências

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