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A mulher competente no amor é a que sonha e luta





Querida grande mulher e heroína Andréia Haas


Infelizmente não vi tua carta escrita ao teu companheiro na data de sua publicação. Porém, emocionei-me às lágrimas ao encontrá-la nessa semana no blog Aldeianago


Impressionante o que escreves sobre a relação de vocês, sobre teu companheiro, seus sonhos e lutas.


O que escreves ao teu marido afirma o princípio freudiano de que quando Pedro fala de Paulo revela mais de Pedro do que de Paulo. 


Perdoa-me se erro, mas teu maravilhoso texto me inspira a pensar que há tipos diferentes de mulheres que amam. Há as que amam mediadas e empolgadas por sonhos grandiosos e há as que iniciam relações românticas e depois resvalam na vala comum da constituição de uma família com marido e filhos. 


As mulheres românticas se apaixonam, entregam-se desmedidamente para depois resvalarem na lama do cotidiano doentio de cobranças e de agendas estafantes com marido e filhos. Estes crescem rapidamente e são engolidos pelo viciado e desumano mercado, para também entrarem pelos túneis pré-determinados da vida que roda seca, sem sonhos e chata.  Quando as crias se vão restam os ninhos vazios e a aposentadoria empobrecida de romance e de entusiasmo. Nessa mesma linha há as que se desiludem de amores perfeitos e se entregam a cuidar dos filhos à espera da aposentadoria para amar algum velho estropiado sem sonhos. 


És, pelo contrário, uma mulher de sonhos, como tantas companheiras brasileiras e latinas americanas. Impressiono-me com a força arrebatadora dos sonhos revelados na tua carta. Os verbos, os predicados e as qualidades são escritos com a força do coletivo, da aprendizagem, do social, do revolucionário, do para todos. A força do sonho é furacânica na tua relação com teu companheiro, porque se move de fora e para fora socialmente de vocês dois. 


Em afirmações de fina poesia dizes ao teu amado, sensível ao arrebatamento que o movia em sua vida jovem e estudantil universitária: “Fui conquistada também. Tornei-me uma seguidora de tuas ideias e sonhos”. 


Sobre a consciência social que alicerça a luta dos comprometidos com o próximo afirmas sobre os ensinamentos que teu jovem namorado compartilhou com todos e contigo: “Você me fez enxergar, além de mim, e ver muitas pessoas, sem estudo formal, mas com enorme capacidade de enfrentar grandes dificuldades. Pessoas que lutavam para sobreviver ao dia presente, sem saber se, no dia seguinte, teriam o que dar de comer a seus filhos. Pessoas que, sem titubear, compartilhavam o pouco de comer com “estranhos”. Pessoas inteligentes e muito sábias, pois aprenderam a essência do que é ser humano: ser solidário. Você me fez ver que tínhamos muito a aprender e, de nossa parte, poderíamos oferecer nosso pequeno saber para melhorar condições básicas de vida destas pessoas.”


Revelas a qualidade do único e verdadeiro amor digno de unir um homem e uma mulher: “Sempre pensando em todos, sempre almejando um mundo melhor e mais igualitário.” 


Hoje avalias esse amor nutrido pelo sonho dos que lutam sem se acovardar e as consequências para muitos que sofreram e tombaram perseguidos pelas injustiças e pelos opressores: “Muitos que sofreram, foram torturados, presos, foram assassinados, perderam empregos, perderam famílias, foram obrigados a sair do país. Todos acreditavam num sonho: um Brasil democrático, um Brasil para TODOS.” Mas reiteras que valeu a pena e sempre valerá. 


Tua carta, querida companheira Andréia Hass, é grandiosa confissão de fé na força do amor ao próximo, que leva o nome de socialismo, como diz Frei Betto. Nela percebe-se que fora isso o amor apodrece enferrujado nas mesquinharias burguesas egoístas. “Há pessoas que vivem pelo prazer de fazer sofrer; há pessoas que buscam reconhecimento profissional individual, custe o que custar; há pessoas que têm prazer em ficar ricos, muito ricos, mesmo que sua vida não seja longa o suficiente para gastar todo o dinheiro adquirido; há pessoas que têm prazer em ter poder, poder para decidir; há pessoas que “vendem a alma” por minutos de fama”, escreves. Eu acrescentaria que há casais e mulheres, diferentemente de ti, que giram suas vidas miseráveis em torno desse eixo mesquinho do individualismo, mesmo que denominem suas atividades com frases alegóricas do tipo: “vamos à luta”, “é com batalhas que se vence”, “é preciso trabalhar muito para levar para casa o leitinho das crianças”, “é preciso se qualificar para ser bom profissional” etc. Muitos até acumulam dinheiro, mas sem nenhuma sensibilidade social nem compaixão pelo povo, portanto, sem a essência do amor. 


Tua biografia retratada por tua carta te alinha a maravilhosas mulheres libertárias que fizeram nossa história de povo oprimido. 


No meu Rio Grande do Sul, onde nasci e me construí com o povo e para ele, fala-se muito em Anita Garibaldi. 


Anita casara-se jovem com um pobre sapateiro, sem sonhos e sem amor ao próximo. Rapidamente seu marido encharcou-se de bebida e passou a espancá-la. Até que ela ouviu sobre um jovem sonhador e lutador por uma sociedade mais justa. Sem titubear largou o casamento doente e a nado foi ao encontro de José Garibaldi, o revolucionário de duas Pátrias. Apaixonou-se por ele e ao seu lado lutou de espadas em punho contra um império opressor e colonizador. Quanto mais lutou mais se apaixonou por seu homem. Quanto mais sonhou socialmente tanto mais se entregou femininamente. 


Tua carta também me levou a Olga Benário Prestes. Esta grande patriota brasileira não vacilou na luta ao lado de Luiz Carlos Prestes. Quando a polícia burra do nazista Filinto Müller vasculhou as residências no Rio de Janeiro para prender e matar o líder revolucionário, ao encontrá-lo teve que enfrentar Olga de braços abertos que gritou: “não atirem, ele está desarmado”. Correu o risco de ser assassinada para proteger o líder, a revolução, o sonho de justiça social e o seu companheiro, por quem ela era apaixonada. Depois o Supremo Tribunal Federal a enviou para as garras de Adolfo Hitler na Alemanha. Lá ela deu à luz a Leocádia Prestes, posteriormente sequestrada dos braços da mãe heroína para depois ser a grande brasileira intelectual e militante socialista. Desde o campo de concentração, tortura e morte Olga escreveu inúmeras cartas de esperança e de amor ao futuro do povo brasileiro. Foi morta nas fornalhas, mas seu sonho continuou em mulheres como tu e em homens como teu marido, querida Andréia. 


Tua saga te une a milhões de mulheres. Lembro apenas de mais uma fora do Brasil. Coretta King, mulher do pastor Martin Luther King Jr, talvez movida por força aparentemente diferente da que te inspira, mas com a mesma paixão pelo sonho dos direitos iguais aos negros estadunidenses, barbaramente discriminados e expulsos socialmente.


Coretta abraçou a causa que moldava o ser de seu marido e lhe deu continuidade após o assassinato dele. Em dados momentos da luta sua vida ao lado do marido e dos filhos virou inferno. Sua casa foi explodida por bombas mais de uma vez. O FBI, comandado por um general fascista, obcecadamente perseguiu e espionou as atividades e até a intimidade do casal. A sexualidade vasculhada por microfones instalados no quarto do casal King serviu de chacota, de injúria e de piadas em departamentos do governo federal daquele império terrorista. Porém, lá estava a heroína Coretta King, sonhadora e apaixonada. 


Não creio em amor de mulher que se reduz a sonhar com passarinhos e propriedades em torno do marido e dos filhos. Esse tipo isola-se do mundo de forma egoísta, gerando mais alienados e topeiras sociais, absolutamente preconceituosos e insensíveis às dores sociais.  


Obrigado Arquiteta Andréia Hass. Tua carta me fez melhor. Nela não falas em tua profissão, como convém aos comprometidos socialmente. Nela falas de amor, de sonhos, de sociedade, de transformações, de lutas, da verdade e de justiça. 


Em tua carta me fazes respeitar ainda mais o teu marido e grande patriota, Henrique Pizzolato, barbaramente injustiçado por oportunistas, vagabundos burgueses e injustos que se aninham no Supremo Tribunal para fazer injustiças e exercer a insanidade de matar sonhos. 


Tua carta reforça em mim ainda mais a convicção de que Henrique Pizzolato e outros seus companheiros são inocentes. Que são perseguidos por uma ação penal mentirosa e terrorista. 


Tua carta fortalece minha fé na luta por uma sociedade onde não haja mais fertilidade para gerar excrescências como essa mídia perversa e práticas lixos como as de Joaquim Barbosa. 

Obrigado pelo exemplo de vocês. 


Abraços minha querida irmã. Forças na luta para provar que teu companheiro é justo e que foi injustiçado. A verdade vencerá!


Abraços críticos e fraternos na luta pela justiça e pela paz.

Dom Orvandil: bispo cabano, farrapo e republicano.  






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